sexta-feira, 14 de março de 2014

Porque não ser professor ....

João: Eu acho você um cara bem curioso e ser curioso é uma das características de um cara com uma habilidade intelectual meio incomum na nossa sociedade. Por ter essa habilidade é natural que a pessoa pense em ensinar, transferir conhecimento, ser desfiado com perguntas de muitas mentes juntas numa sala de aula, ampliar os próprios conhecimentos, sair de uma série e ir entrar em outra com outros desafios intelectuais, poder pesquisar para criar e satisfazer a curiosidade das pessoas, ser uma autoridade detentora de um conhecimento que não é todo mundo que tem, ter uma plateia que te escute, né ? É isso que você pensa quando diz que será professor. 
Qualquer um pode ser professor, basta ir até a faculdade e, adquirir um diploma. No curso para professor, eles te ensinam a matéria, tornam você especialista naquela matéria, saberá falar sobre aquele assunto usando termos técnicos, o que faz parecer mais importante ainda o que esse professor tem para ensinar. Na universidade eles te ensinam a dar aula para alunos, sem dizer que tipo de alunos esses seres humanos são. Suas teorias aplicadas a rotina escolar chega a parecer que todos os alunos são iguais, que há uma homogenia de comportamentos e atitudes e que todos vão responder a contento àquilo que lhes for ensinado. Todos os alunos tem a mesma capacidade analítica e todos tem o material usado pela escola. Que todos receberam boas instruções de comportamento de suas famílias, que são compostas de: pai, mãe e irmãos, e todos eles executam seus papeis sociais como é esperado de cada um. Que todas as escolas estão aparelhadas com um mínimo a ser usado para a rotina de aprendizado: carteiras, quadro, giz e quiçá uma biblioteca. Nessa escola, há boas pessoas, instruída e capacitadas para servir a essa população estudantil que lá vai em busca de conhecimento. E essas pessoas são todas bem intencionadas e tem profundo censo de ética e grandes articuladores para resolver problemas, se possivelmente a escola tiver.
A verdade não é bem assim. O sistema educacional está viciado. Ele é ruim porque foi negligenciado, e é desacreditado porque não é nada prático. Muito pouco do que lhes é ensinado é aproveitado como recurso para ajudar o aprendiz a desenvolver as áreas criativas do cérebro.
Depois de anos, buscando um método que se adequasse no Brasil, resolveram copiar de países europeus e algo parecido com o americano, tem um pouco do sistema francês e reunido "especialistas" em educação de universidades do Brasil eles montaram essa grade de disciplinas que, segundo eles, favorece o desenvolvimento de áreas do cérebro até o aluno ser levado a faculdade para terminar sua graduação.
O que pode ser visto em uma escola, vista nos seus bastidores, é que nem quem está fazendo o serviço de ensinar está acreditando nisso mais. Há um número de doenças mentais em profissionais do ensino concernentes a esse hábito. Depois de 15 anos de exercício, um professor de 35 anos começa a apresentar sinais desse cansaço. Esse profissionais não tem liberdade de pensamento e não se tornam geradores de ideias que os motive a trabalhar. Há uma hierarquia na escola particular que eles insistem que devem ser observada e cumprida, porque a supervisão e a direção tem que dar respaldo aos pais sobre o que acontece com seu filho, e como os pais pagam, a escola se vê na obrigação de "quase" ter que agradar aos pais, sendo que cada um deles tem uma ideia diferente sobre o que seja educar. Se um professor não tem autonomia para trocar um aluno de lugar, que dirá emitir uma opinião sobre um político corrupto ou um assassinato. Se os pais não gostarem, vão a escola e defendem seus pontos de vistas. A escola não querendo perder seu cliente, chega a demitir professores. As provas são determinadas pela supervisão, e o professor não tem liberdade para acrescentar questões ou mudar o estilo. O professor que tem alguma liberdade com seus alunos, não é bem vistos pelos seus colegas. Dizem que alunos são muito "folgados" e devem estar levando alguma vantagem nessa relação, tipo: entregar trabalho atrasado, cola em prova, e tals ... As pessoas da escola, para manter seus empregos costumam fazer um jogo de empurra quando um problema acontece. Por exemplo: a prova não feita a tempo ... o rapaz do xerox diz que não recebeu a tempo, a , supervisora diz que não estava no seu e-mail e que o professor deveria ter mandado antes, porque a escola estava com esse problema dias atrás ... Poderia ser resolvida de forma bem simples, tipo: não tem a prova, adia a data. ... Se voltar a acontecer, vamos sentar e conversar para sabe como resolver. ... O que a escola faz ? Um formulário que deve ser procurado no xerox com a assinatura do funcionário de lá, dizendo que a prova chegou, e que esse formulário deve ser entregue a supervisora para que ela autorize a feitura das cópias. Entendeu ? Onde o sistema puder complicar, eles não vão simplificar. Os professores começam a criar uma casca grossa que vai esbarrar na sala de aula, nas costas dos alunos. Passam a ser intransigente, tipo: "se não posso atrasar a prova, também não aceito trabalho atrasado".  ... Todos disciplinados, para mostrar essa organização aos pais, que pagam.
Nas escolas públicas é tudo isso, só que ao contrário e pior. Os professores tem um descrédito muito grande pelos seus alunos. Além de serem mal aparelhados, a situação dos alunos é bem diferente em muitas maneiras que você possa pensar.
Nos dois níveis de educação a vítima é o aluno. Ele está limite final dessa avaliação inóspita, insossa e bastante insalubre. E nem pense em ser legal, você terá algum crédito de seus alunos, mas será odiado pelos seus pares.
É isso, João, poderia ficar falando horas para descrever meu ponto de vista sobre a educação, mas vou terminar aqui, antes do ponto final eu vou falar um pouco sobre plano de carreira e salário. Um professor, salário base em Minas Gerais é de R$ 1.024,67 por mês por 40 horas de trabalho em escolas, 40 horas equivale a trabalhar 8 horas por dia, durante 5 dias da semana, e o restante do dia e dos fins de semana sobram para corrigir provas, trabalhos e lançar nota, matéria e faltas. Se trabalhar em duas escolas, o trabalho duplica. A hora/aula é de 17,40, vale receber R$0,40 centavos de cada aluno por aula. A escola particular deve pagar por volta de R$ 30 reais, cada aluno paga R$0,70 centavos por aula.
Não há plano de carreira, tipo: ter acesso a cursos que eleve o nível da carreira e que aumente o salário. Não há cursos de especialização para nenhuma área. O orçamento que o governo tem para esses cursos são oferecidos àqueles que não trabalharam e tiveram todo tempo para estudar, viveram estudando e recebendo do governo. Quanto mais especializam, mais estudam, mais ganham e quando resolvem trabalhar, escolhem empresas fora do país, tipo: Alemanha, França e Itália.
Isso também não é muito diferente das universidades, só que os conchavos políticos e de amizades são mais ferrenhos. Há uma disputa por poder nas faculdades.
Se você disser que é possível mudar isso tudo, boa sorte, João.

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